Rosin — calor e pressão

Rosin: calor, pressão e tempo

As três variáveis da prensa, e por que a bag errada joga metade do rendimento fora: micragem por input, temperatura de placa, pressão progressiva e cura.

  • 8 min de leitura
  • 9 etapas no passo a passo
  • 10 seções
Glass Jar 6 Stars de vidro espesso, o pote em que o rosin cura
01Parâmetros de referência1/10

01

Parâmetros de referência

  • Flor

    Micragem da bag
    90 a 120u
    Placa
    88 a 99 °C
    Tempo
    45 a 90 s
    Faixa típica de rendimento
    12 a 25 %
  • Hash

    Micragem da bag
    25 a 37u
    Placa
    71 a 88 °C
    Tempo
    60 a 180 s
    Faixa típica de rendimento
    55 a 80 %
  • Dry sift e kief

    Micragem da bag
    37 a 90u
    Placa
    76 a 90 °C
    Tempo
    60 a 120 s
    Faixa típica de rendimento
    Depende da limpeza do sift

Rosin não tem solvente nem água: é calor para amolecer a resina, pressão para expulsá-la e tempo para deixá-la escorrer. As três variáveis se compensam — placa mais fria pede mais tempo, bag mais fechada pede mais paciência — e por isso todo run precisa das três anotadas.

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Antes de começar

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Equipamento
Matéria
Filter bag 6 Stars de nylon food grade, vista de frente
Filter bag 6 Stars de nylon, com a costura dupla aparente
Mão com luva preta segurando um Glass Jar 6 Stars
A filter bag de nylon com costura dupla, e o pote de vidro em que o rosin cura.

03

Passo a passo

  1. 01

    Escolha a bag pelo input

    • 90 a 120u
    • 25 a 37u

    Bag aberta demais deixa passar material vegetal e o extrato escurece. Bag fechada demais segura resina dentro. Para flor, 90 a 120u; para hash, 25 a 37u — o hash já é um concentrado, a bag só segura o pouco que sobrou de contaminante. Use a bag do tamanho do prensado: sobra de tecido vira caminho por onde a resina escapa sem ser coletada.

  2. 02

    Carregue sem folga

    Encha a bag de forma uniforme, cantos incluídos, sem estufar. Bolsa de ar estoura a bag; excesso de matéria também. Dobre a boca para baixo do pacote.

  3. 03

    Pré-prense

    Forme uma placa compacta e de espessura igual antes de levar ao calor. A pré-prensagem melhora o fluxo da resina, reduz o tempo de placa e é a melhor defesa contra bag estourada.

  4. 04

    Monte o papel

    Dobre o papel antiaderente ao meio com a bag no centro, deixando bastante papel à frente: é para lá que o óleo corre. Papel curto é resina escorrendo para a placa.

  5. 05

    Aqueça e estabilize as placas

    • 5 min

    Ligue, ajuste a temperatura e espere pelo menos 5 minutos depois de a placa chegar ao valor. O visor mostra o sensor, não a superfície: se tiver termômetro infravermelho, confira as duas placas.

  6. 06

    Encoste, espere e só então aperte

    • 10 a 20 s
    • 30 a 60 s

    Feche as placas até encostarem no pacote, sem pressão, e conte de 10 a 20 segundos: a matéria aquece e a resina amolece. Depois suba a pressão aos poucos, ao longo de 30 a 60 segundos, sentindo o material ceder. Pressão total de uma vez estoura a bag e mistura tudo. Segure até o fluxo de óleo parar.

  7. 07

    Colete no frio

    Abra, tire o papel e leve-o por um minuto a uma superfície fria. Resina fria solta do papel inteira; resina morna gruda na espátula e fica no caminho. Colete com a espátula de inox e pese.

  8. 08

    Segunda prensada, se valer a pena

    • 5 a 10 °C

    Uma segunda prensada, de 5 a 10 °C mais quente e mais longa, traz mais rendimento e menos qualidade. Guarde em pote separado e anote como outra fração — nunca como um número só.

  9. 09

    Cure

    • 24 a 72 h
    • Cold cure: pote de vidro bem fechado, em temperatura baixa e estável, de 24 a 72 h. A textura muda, o aroma estabiliza
    • Cura em temperatura ambiente: o mesmo pote vedado fora da geladeira — muda o perfil aromático ao longo dos dias e pede mais atenção à oxidação
    • Whipping: bater o extrato morno com a espátula até virar badder

    Anote qual usou: a mesma prensagem com cura diferente entrega produtos diferentes.

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Pressão: a conta que ninguém faz

A tonelagem da prensa não diz nada sozinha. O que chega à resina é a força dividida pela área da bag: pressão na bag = força da prensa ÷ área do pacote. Uma prensa de 2 toneladas sobre uma bag de 5 × 11,4 cm (57 cm²) entrega cerca de 500 psi; a mesma prensa sobre um pacote com metade da área entrega o dobro. Flor trabalha bem entre 600 e 1.000 psi; hash pede menos, de 300 a 700 psi. Mais pressão que isso não traz mais resina — traz cera, clorofila e bag estourada.

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Dicas de bancada

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Erros comuns e como corrigir

  • Sintoma

    Bag estourou

    Causa provável
    Pressão súbita, bag estufada ou sem pré-prensa
    Como corrigir
    Pré-prense, encha menos e suba a pressão em 30 a 60 s
  • Sintoma

    Rosin escuro

    Causa provável
    Placa quente demais, tempo longo ou matéria velha
    Como corrigir
    Baixe de 5 em 5 °C e reduza o tempo
  • Sintoma

    Chiado e respingo na placa

    Causa provável
    Umidade na matéria
    Como corrigir
    Seque melhor o hash; flor acima de 65 % de umidade também chia
  • Sintoma

    Rendimento baixo em flor

    Causa provável
    Flor seca demais ou bag fechada demais
    Como corrigir
    Reidrate a flor para 58 a 65 % e use 90 a 120u
  • Sintoma

    Extrato com material vegetal

    Causa provável
    Bag aberta demais ou pressão excessiva
    Como corrigir
    Feche a micragem e alivie a pressão
  • Sintoma

    Resina ficou na placa

    Causa provável
    Papel curto
    Como corrigir
    Deixe mais papel à frente da bag

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Como avaliar o resultado

  1. 6★O topo da régua
    Cor e aspecto
    Claro, do quase branco ao dourado, limpo e homogêneo
    Aroma e queima
    Aroma intenso e fiel à matéria; derrete sem deixar resíduo
  2. 5★
    Cor e aspecto
    Dourado, sem partícula visível
    Aroma e queima
    Aroma forte; resíduo mínimo
  3. 4★
    Cor e aspecto
    Âmbar
    Aroma e queima
    Aroma presente; resíduo leve
  4. 3★
    Cor e aspecto
    Âmbar escuro
    Aroma e queima
    Aroma apagado; resíduo visível
  5. 1★ a 2★
    Cor e aspecto
    Marrom, com partículas
    Aroma e queima
    Gosto vegetal ou queimado

É uma régua de bancada para comparar os seus próprios runs — a mesma matéria prensada em duas temperaturas costuma mudar uma estrela inteira.

08

Cura e armazenamento

Pote de vidro pequeno, bem vedado, com pouco ar sobrando. Frio e escuro sempre: geladeira para o consumo das próximas semanas, freezer para guardar por mais tempo. Tire do frio e espere o pote voltar à temperatura ambiente antes de abrir — assim a umidade do ar não condensa dentro dele.

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Perguntas de bancada

Que tonelagem de prensa eu preciso?

Menos do que o anúncio sugere. O que importa é a pressão que chega à bag, e ela depende da área do pacote: uma prensa pequena com uma bag pequena entrega a mesma pressão que uma prensa grande com uma bag grande. Faça a conta da sua antes de trocar de equipamento.

Papel manteiga serve?

Não conte com isso. Use papel antiaderente de verdade: o Dover Assa+Leve — que, como o próprio fabricante avisa, não é papel manteiga — aguenta a temperatura de placa e solta a resina inteira na coleta.

Posso prensar flor recém-seca?

Pode, se a umidade estiver entre 58 e 65 %. Flor seca demais reabsorve o próprio óleo e o rendimento despenca; úmida demais, chia na placa e escurece o extrato. Alguns dias em pote com controle de umidade resolvem os dois casos.

Por que o rosin escureceu no pote?

Calor, luz e oxigênio. Rosin é resina sem proteção nenhuma: pote pequeno e cheio, bem vedado, no frio e no escuro. Fora da geladeira ele escurece e perde aroma em semanas.

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O que registrar

  • Input: flor, hash, dry sift ou kief — com genética e peso de entrada
  • Prensa e tonelagem, e a pressão aplicada
  • Temperatura das placas e tempo de prensagem, em segundos
  • Micragem e tamanho da bag
  • Se houve pré-prensagem e quantas prensadas foram feitas
  • Whipping ou cura: qual, por quanto tempo e em que temperatura
  • Consistência final, peso de saída de cada prensada e estrelas
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